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Sindi presente no Seminário Regional Pacto RS 25

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Presidente do Sindi Comerciários Lajeado destaca desafios e caminhos para o crescimento sustentável no Vale do Taquari

O presidente do Sindi Comerciários de Lajeado, Marco Daniel Rockenbach, participou nesta segunda-feira (8) do Seminário Regional Pacto RS 25: O crescimento sustentável é agora, realizado em Lajeado e voltado ao debate sobre os rumos do desenvolvimento econômico, social e ambiental do Vale do Taquari e Rio Pardo. O encontro reuniu, no auditório do Prédio 7 da Univates, autoridades políticas e empresariais, especialistas e pesquisadores, além de lideranças sindicais e movimentos populares.

No painel “Crescimento Sustentável e a Reinvenção do Trabalho”, Rockenbach apresentou um diagnóstico detalhado sobre os avanços e os desafios da região, ressaltando que a sustentabilidade precisa ser compreendida em sua totalidade: equilíbrio entre economia, justiça social e responsabilidade ambiental.

Avanços econômicos e números expressivos em Lajeado

Segundo o dirigente sindical, o município tem mostrado força no desenvolvimento econômico. Apenas nos primeiros quatro meses de 2025, Lajeado registrou 837 novos cadastros de MEIs, representando um crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. Atualmente, são 9.637 microempreendedores individuais ativos na cidade.

A previsão orçamentária municipal para 2026 também reflete esse crescimento, com expectativa de aumento de 15%, alcançando R$ 767 milhões. “A economia vai bem, obrigado”, destacou Rockenbach, reforçando o papel de Lajeado como motor econômico regional.

Responsabilidade ambiental e prevenção de desastres

Ao abordar a dimensão ambiental, Rockenbach foi enfático: “Não há resposta conclusiva. O que vai definir é como estamos prevenindo ou mitigando desastres naturais”. Ele lembrou que a região precisa de decisões responsáveis na destinação dos recursos, como os R$ 14 bilhões do FUNRIGS, para que investimentos em obras como a nova ponte entre Estrela e Cruzeiro do Sul sejam feitos com mínimo impacto ambiental.

Desigualdade social e rotatividade no trabalho

Apesar do destaque econômico, Rockenbach chamou atenção para os problemas sociais e de renda que afetam a região. Ele lembrou que Lajeado figura entre as cidades mais inovadoras do Brasil, mas ainda enfrenta dificuldades em áreas básicas como recolhimento de lixo, transporte público e vagas em creches.

Os números mostram que a concentração de renda é elevada e que a média salarial da região (R$ 3 mil) está abaixo da média estadual (R$ 3,5 mil). Mais da metade dos trabalhadores do Vale (55,8%) recebem entre R$ 1,8 mil e R$ 3 mil, especialmente em setores como supermercados, alimentação e serviços.

Essa realidade, segundo ele, ajuda a explicar a alta rotatividade (turnover). “Taxas de turnover muito altas indicam problemas na gestão, insatisfação, más condições de trabalho e remuneração inadequada”.

Reinvenção do trabalho: novas gerações, novos desafios

Rockenbach reforçou que o desafio atual é compreender a transformação no perfil dos trabalhadores. Dados mostram que 48,2% dos pedidos de demissão em Lajeado, no primeiro semestre de 2025, foram feitos por jovens de 18 a 29 anos.

“O trabalhador de hoje busca propósito, evolução e melhores condições. A gestão continua medieval e isso já não funciona mais”, afirmou, citando que parte das empresas começa a se adaptar, abandonando escalas 6x1 em favor de modelos 5x2, mais compatíveis com as expectativas das novas gerações.

Jornada de trabalho e saúde mental

Outro ponto de destaque foi a defesa de uma redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial, acompanhada da implementação da escala 5x2, já praticada por parte da indústria.

Rockenbach alertou ainda para o aumento dos casos de burnout, ansiedade e depressão, que cresceram 70% entre 2023 e 2024, reforçando a necessidade de uma mudança de cultura nas relações de trabalho.

“Não temos falta de mão de obra, o que temos são condições ruins de trabalho e baixa remuneração. Precisamos sair da era medieval nas relações de trabalho e implantar uma cultura de remuneração justa e de respeito à saúde do trabalhador”, concluiu.

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